domingo, 24 de abril de 2011

sim, ficamos chateados!

O filme "Contracorrente" estreou em Porto Alegre faz alguns dias. Motivado pelos ótimos comentários, decidi colocá-lo na minha programação cultural. Na última sexta-feira escolhi a sessão das 19h do Instituto NT de Cinema e Cultura. Seria o fechamento perfeito de um dia maravilho. Isso, se São Pedro não mandasse um temporal caprichado, daqueles que mata pessoas, desabriga, alaga e faz faltar energia elétrica.

Já sentiu o drama, né? Meia fase no centro cultural. Foram 20 minutos de torcida para que a energia fosse restabelecida. Sim, fiquei chateado! A CEEE não resolveu o problema e tive de ir embora, com a vontade de ver a película. A decepção não foi tão grande porque acionei o Plano B. Um outro filme em outro cinema.

Mas como todo o bom brasileiro, não desisto tão fácil. Domingo, nova tentativa! Depois de um dia ensolarado, temperaturas mais amenas e almoço com a família, me mandei pro mesmo “cine”. Dessa vez, sozinho, o que me deu um baita orgulho de mim. Tipo: mesmo não tendo parceria, busquei meu desejo de ver o tal “Contracorrente”. Agora vai, pensei!

Com meia-hora de exibição, queda de energia e interrupção do filme. A projetista informa que a sessão estava suspensa porque um carro havia batido num poste. PQP!

Sim, fiquei chateado! E agora, com o agravante de já ter visto parte da produção. Tive de trabalhar dentro de mim o sentimento de decepção, que foi enorme! Não sei se vou ver o tal “Contracorrente”. A chateação foi grande. Fui para casa com a certeza de que “sim, ficamos chateados”, e isso faz parte da vida. Amanhã passa. 

sábado, 19 de março de 2011

Ele não consegue!

Há coisas na vida que vou morrer sem entender. Como, por exemplo, o atraso das pessoas para um compromisso. Sou pontual ao extremo. Caso marquei às 15h com alguém, não vou chegar às 15h05min. Porque 15h é 15h, nem um minuto a mais nem um a menos. Ok. Imprevistos acontecem (inclusive comigo) e entendo na boa. Agora, tem gente que incorpora o “atraso” na vida.

Descobri com uma amiga que, assim como eu, segue os ponteiros do relógio rigorosamente, que o “atraso” é uma doença (neural-psico-física-moral-emocional-comportamental). Eu e ela não somos médicos nem psiquiatras para afirmar isso, mas definimos que algo acontece no cérebro do cidadão.

Um dia essa mesma amiga chamou um colega de trabalho que sempre chega atrasado no compromisso profissional. Ela deu um pito nele. O rapaz disse o seguinte sobre chegar na hora combinada:

- Eu não consigo!

Pronto! Ele admitiu que não é capaz, que é limitado quando o assunto é cumprir horário. É uma síndrome, viu? Houve uma confissão de incapacidade. Registra o flagrante da ocorrência agora!

No meu dia-dia, convivo com pessoas assim. Já me estressei muito com essa falta de respeito (sim, para mim é pura falta de respeito). Ganhei cabelos brancos, mas hoje, decidi dar prioridade para a minha saúde, física e mental, e não me estresso mais com a incapacidade alheia. Quando tenho que marcar horário com a pessoa com a síndrome do “Eu não consigo” e sei que vou esperar, respiro fundo e penso:

- Ele não consegue!

sábado, 12 de março de 2011

a dor é só minha

Era uma manhã de trabalho. Faço uma ligação para uma colega de profissão com o objetivo de confirmar o recebimento de um e-mail. Descubro que sua mãe está muito mal no hospital. Solidário, digo que sabia o que ela enfrentava porque havia perdido meu avô alguns meses atrás. Do outro lado da linha, uma voz seca e amargurada desabafa:

- Não! Tu não sabes o que estou passando.

Em dezembro passado postei no Limonada Zen o texto "A viagem é só minha", que recebeu comentários legais. Muita gente que leu se identificou com tais situações ali descritas. Mas não era só isso. Dizia respeito da individualidade de cada um. Hoje, quero refletir sobre esse outro sentimento que é apenas nosso: o sofrimento.
 
Voltando a história lá de cima, NÃO, eu realmente não sabia o tamanho da dor daquela garota. E não pelo fato de um caso se tratar de avô (o meu) e o outro de mãe (a dela). E sim porque a dor era só dela. Essa conversa confirmou algo que já pensava fazia tempo. Independente do problema que temos (financeiro, amoroso, físico ou emocional), só nós sabemos o quanto nos machuca.

E aqui entre nós: não tem coisa mais "deselegante" que ouvir alguém te falar:
 
- Eu sei bem como é!

Ou:                                                        

- Te entendo perfeitamente!
 
Na real, ousamos dizer que podemos imaginar e entender. Digo de novo! Não existe como sentir exatamente o mesmo que àquele coração abalado que nos comove diz sentir! E é simples, cada um enfrenta a sua maneira o “leite derramado”.  O filho que perde um pai ou uma mãe vai sofrer diferente de um outro filho que teve a mesma tristeza. Afinal, cada um amou a sua maneira o ente querido. O amor, embora tenha a
mesma fórmula, não tem de fato. Tudo é muito próximo, mas não exato!
 
Então, em situações de aflição alheia, o melhor a fazer é ser básico. Quem sabe ficar quieto e dizer que está ali para o que a pessoa precisar. Afinal, a dor é só daquela ela pessoa.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

um homem de possibilidades!

Dia 30 de dezembro de 2009. Praia de Atlântida Sul, litoral norte gaúcho. Final de tarde e, por um descuido, tropeço no sofá da sala. Machuco o dedinho do pé.  Dou tchau para aquele ano e as boas vindas para 2010 manco! Prenúncio de tempos difíceis pela frente ou apenas um resquício ingrato de um ciclo que estava se encerrando?

Dia 31 de dezembro de 2010. Praia de Imbé, litoral norte gaúcho. Amigos reunidos e absorvendo do sol, onde todos estavam, boas energias para mais um novo ano. Quando surgiu a ideia de falarmos sobre os nossos últimos 12 meses.

Lembra da perguntinha do primeiro parágrafo? Pois é! O destino me reservou a primeira opção. Tudo bem, sejamos justos. Viajei para a Europa, minha saúde esteve ótima, não dormi ao relento, tinha pão, leite e trabalho (que não é sinônimo de dinheiro, viu?). Porém, enfrentei muitas e todas as dificuldades que se possa imaginar. Sozinho! Fui ao limite ou, como dizia a personagem Armênia, da novela global Rainha da Sucata, estive:

... Na chon (= no chão)!

Mas o saldo negativo na conta emocional, psicológica , financeira, sócio-cultural me serviu para ver o homem de possibilidades que sou. Possibilidade de uma família presente, possibilidade de amigos verdadeiros, possibilidade de administrar com criatividade a crise, possibilidade para entender a fase ruim e a possibilidade para virar a página.  

Naquela linda tarde ensolarada do finalzinho de 2010, aproveitei para dar a última vomitada verbal para os amigos, aquela que limpa o estômago e nos faz ficar bem. Decidi deixar no calendário velho, aquele que jogamos no lixo do trabalho antes de iniciar a folga do reveillon, todas as lamentações, as lágrimas e as inseguranças. Respirei fundo, sorri e disse:

- 2010 não foi bacana comigo. Mesmo com muitas lágrimas derramadas, eu venci. Hoje estou aqui para dar adeus a ele e comemorar a chegada de uma nova era! 2010 foi e eu fiquei, e mais forte, enquanto que 2010 já está no passado.

Feliz 2011! 

Primeiros minutos de 2011...
 

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

rolou dúvida, nem pensar!

Não adianta vir cantar de galo e dizer que é a pessoa mais segura da face da Terra. Todos nós, em certos momentos, ficamos indecisos. É natural! Ao longo da vida precisamos fazer escolhas. E o passo, nem sempre, é dado com total firmeza. Mas assim escrevemos nossa história.

Sabias que a dúvida é uma das causas de sofrimento? O “levo ou não levo”, “fico ou não fico”, “compro ou não compro” pode tirar o sono, o apetite e nos deixar irritado. Sintomas que só nos causam mais estresse.

Atire a primeira pedra quem nunca ficou “cabreiro” com a roupa que estava experimentando numa loja. Do tipo, paquerar uma camiseta por 15 minutos, pedir opinião para o vendedor, o vizinho de cabine, a namorada do cara que estava esperando tu desocupares o provador e até ligar para a mãe! E aquela frase que balança o corpo inteiro:

- Meee ajjjuuuudaaa!!!!

Mesmo não convencido, e com uma pitada de desconfiança, tu adquires o modelo e o tira do guarda-roupa apenas uma vez em 12 meses.  Erro comum que se comete.

Viu? Tanto sofrimento em vão. Na prática tudo poderia ter resolvido rapidamente, como um cálculo simples, onde um mais um são dois. Por exemplo, curtiu de primeira o objeto desejado?  Ótimo, é esse mesmo. Achou soltinho aqui, apertadinho ali, curtinho acolá, não era bem o tom da cor, pronto, pega o espelho e vê o tamanho do biquinho que fazes com a boca. É sinal que não estás 100% seguro. Como diz uma amiga:

-  Rolou dúvida, nem pensar!

Não pensa, viu? Esquece porque não vai rolar !!!


quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

simplesmente atacado

ATACADO! Dessa maneira acordei dias atrás. E não aconteceu nada para eu ficar assim. A noite anterior tinha sito ótima e o sono da madrugada tranqüilo. Pela manhã, inclusive, meu pé esquerdo saiu simultaneamente com o direito da cama.

Mantive normalmente a rotina, mas sabia que um “bichinho do ram-ram” percorria meu sangue. Pressa, suave irritabilidade, falta de foco, disperso eram meus sintomas! Realmente ATACADO! Aos hipocondríacos, aviso, a saúde está ótima.

Importante destacar que esses dias são completamente diferentes dos que estamos de mau humor, onde tudo dá errado e as notícias ruins chegam de cavalo. O que é muito comum, quando se fica ATACADO, é pular para o IRRITADO. É aí que mora o perigo. Há uma confusão de sentimentos: muitas pessoas amanhecem atacadas e dizem que o mundo está conspirando contra elas. Pronto, a maionese desandou! O mau humor impera no corpo e se espalha pelo ar.

Com base nessa informação, sabia que mesmo ATACADO não precisava me estressar, pois não existia razão para ficar IRRITADO. Eram apenas algumas horas de incômodo “branco”, sem mal algum. Levei tudo e todos na boa e deixei que o “bichinho do ram-ram” saísse do corpo naturalmente, como o suor!  E aconteceu.


quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

egoísmo congestiona o trânsito

Bah! O trânsito de Porto Alegre está caótico. Existem muitos, muitos e muitos automóveis trafegando, as vias são estreitas e há sinaleiras em excesso. O que me espanta é que ainda espalham fiscalização eletrônica pela capital, como se conseguíssemos andar em alta velocidade. Somado a tudo isso estão os motoristas “manetas” ou, para quem fica ofendido, “os sem noção de espaço” – e com habilitação, o que é pior! É de chorar ouvindo a música “Oceano”, de Djvan, no som do carro.

Ok! Ninguém é obrigado a ser um Airton Senna, mas poderiam ser uma Lady Day. Digo isso, porque tem um fator  gravíssimo congestionando o racioncínio da humanidade: o egoísmo. Na direção, a única coisa que importa para as pessoas é o carro delas. Como canta Paula Toller, do Kid Abelha, "...os outros são os outros e só"!

Numa bela manhã, um belo engarrafamento brota do nada! E para ajudar, uma balzaquiana para o carro basicamente no meio da rua. Sim, ela poderia ter se posicionado bem ao lado do canteiro central, possibilitando que os outros passassem numa boa. Mas não, o egoísmo é muito maior que a solidaderiedade e a manutenção da civilização.

Ao tentar ultrapassar, meu espelho retrovisor encostou no dela. BOOOOMMM! Uma bomba explodiu e ela surtou. Educadamente abri meu vidro e disse:

- Calma! A senhora poderia aproximar seu carro para não congestionar o trânsito!

Nervosa, aos prantos, gritava:

- blál kudje kdeuhdakaidkxldo. Sai de casa mais cedo!!!

É prepotência do ser humano achar que pode mandar no outro. Sem falar que não é uma questão de atraso e, sim, de respeito ao próximo. Não temos o direito de atrapalhar a vida do cidadão, principalmente, em via pública. Naquele dia ficou claro para mim que NÃO preciso me estressar - e NÃO vou - com gente que NÃO sabe conviver em grupo. Descobri que pode ser muito mais interessante fazer trajetos novos e, de preferiência, amplos. Até hoje não me deparei com problemas desse tipo com essa minha nova postura. 

Ok! Mesmo as vias largam param! Paciênciaaaaaaaa!!!!