quarta-feira, 3 de setembro de 2014

me absolvo das culpas!

Vivemos numa sociedade “culposa”, onde recebemos a culpa sem a intenção de provocá-la. Aliás, já no ventre da nossa mãe recebemos a primeira culpa. Qual? A culpa de engordá-la ou por fazê-la ter desejos estranhos, como comer sorvete com chiclete. E quando nascemos então? Somos culpados por um monte de coisas: dor, depressão pós-parto, falta ou excesso de leite no peito, blá blá! Vai ver que é por isso que já saímos da barriga aos prantos, chorando, como uma forma de pedir desculpas pelos problemas causados e pelos que causaríamos ao longo da vida.
E são muitos problemas, não é mesmo? Ainda enquanto bebê, recebemos a culpa pelas madrugadas mal dormidas dos nossos pais. Na adolescência, a culpa pelos aborrecimentos provocados pelas “rateadas” que fizemos na escola. E na fase adulta, já morando sozinho, levamos bronca porque não avisamos que chegamos bem de uma viagem para a praia. Minha mãe diz que filhos são uma eterna preocupação. Vai ver que por isso, na lista de palavras prioritárias que aprendemos ainda na infância, lá está ela, a DESCULPA. Sim, porque tudo é motivo para suplicar perdão: a bola que foi chutada sem querer na parede do vizinho, a cara emburrada de sono que fizemos para àquela tia chata, o vaso centenário quebrado numa pirueta dada na sala de estar. Os erros, mesmo que provocados sem querer, nos tornam culpados de alguma coisa. É sempre assim!
Ao longo da nossa vida vamos acumulando culpas. A culpa por ter repetido a série no colégio (nunca foi o meu caso, mas de muita gente por aí), a culpa por ter iniciado uma faculdade e ter trocado de curso no meio do caminho, a culpa por não ter ido fazer um intercâmbio quando jovem, a culpa por ter te afastado do teu melhor amigo de infância por uma briga boba, a culpa por uma gravidez indesejada na juventude, a culpa por não ter filho, a culpa por ser solteiro, a culpa por não ter lutado pelo amor da tua vida, a culpa por terminar um casamento de 15 anos! Ah! Se elas, as culpas, fossem convertidas em milhas daríamos, pelo menos, duas voltas ao mundo.
Já pelos 30 e poucos anos, então, já parecendo um Papai Noel, carregamos um saco cheio…não de brinquedos, mas deste bendito sentimento que deixa a nossa consciência pesada, bem pesada. Errei muito na por aí – e acredito que vou errar muito ainda. Carrego comigo as conseqüências das minhas inconseqüências até hoje. Pior que muitas delas levarei pelo resto da vida.
A culpa pelo caminho errado, pela decisão equivocada, pelas palavras ditas num impulso de raiva é inevitável. Vai direto para o nosso saco, que arrastamos pelas costas como o bom velinho. Durante uma conversa com uma sábia amiga esses dias, ouvi uma frase dela que me fez refletir.
- Adriano, as culpas não te pertencem. Te absolve , afinal, elas não vão te trazer felicidade.
Para completar, ela encerra:
- As coisas acontecem porque precisam acontecer.
Àquele papo, confesso, me tornou o Papai Noel no dia 26 de dezembro, com o saco vazio, depois de entregar todos os presentes para as crianças. Joguei, naquele momento para o universo, todas as culpas que recebi de mim e dos outros. Entendi que os erros que cometi foram por ingenuidade, por acreditar que era o certo a fazer, por fraqueza, por despreparo, enfim, por amor. Sei que tive minha parcela de culpa em muitas coisas por aí. Mas tenho a certeza que fiz o meu melhor naquela situação onde levei a pior. Acredito que era para ser assim. Simples assim. Então, eu me absolvo!

o peso nosso de cada dia!

O relógio marcava 19h10min. Encerrava mais um dia de trabalho. Até aí tudo lindo, se não fosse um compromisso que eu tinha do outro lado da cidade, em 20 minutos. O horário de pico no trânsito me “atucanou”.  Foi um Deus nos acuda! Desligo o computador, guardo planejamentos e começo a procurar a chave do carro dentro do bornal, o nome chamado para a bolsa masculina.
Inicia a minha peregrinação! Sim, quem disse que eu me lembrava em quais bolsinhos, bolsões e compartimento havia colocado a tal chave? Cavoco o bolso externo da frente  e encontro a chave de casa, a receita médica, a pastilha pra garganta, as moedas, o pen drive, o cartão do gerente do banco…e nada da chave do carro. Dou tchau pra quem fica no escritório e saio porta a fora misturando, com a mão esquerda,  o interior do bornal a procura da “querida”! Toco na carteira, no celular, num envelope vazio, no carregador de celular…e “neca-que-tibiriba” da chave.
Chamo o elevador e continuo buscando a “bendita”. Reviro uma bolsinha no compartimento interno e acho cartões de visitas, três canetas, um saco de bolachinha, extrato bancário, lenço, um chaveiro…e nenhum sinal “dela”.  O elevador chega, entro e aperto no botão que leva até a garagem. Já com uma cara de louco e com o corpo retorcido por causa do peso do bornal, continuo a busca no bolso externo de trás dele, como se minha mão fosse um liquidificador, vasculho o espaço rapidamente – muito, mas muito irritado. Descubro o óculos de sol, um bloco de notas, um cd, comprovantes de pagamentos, conta de luz e, para variar,  não achei a “p#@a” da chave do carro. Olho para o senhor que estava no elevador e digo:
- Quando perdemos a chave do carro é um problema, né?
- É um saco quando isso acontece, responde ele!
Já na garagem, caminho com a mão, novamente, no miolo da pasta – que  é quase um buraco negro. Respiro fundo, conto até três e, calmamente, faço uma última vasculhada no bornal e nos seus intermináveis esconderijos. Demorei, mas a encontrei, extremamente atrasado.
Me lembrei do filme “O Amor Acontece”, onde o personagem principal, um palestrante de auto-ajuda, falava sobre a quantidade de bobagens e coisas supérfulas que carregamos ao longo da vida, sem nenhuma necessidade. Citou, como exemplo, o peso de uma bolsa! Claro que ele iria entrar no mérito de arrastarmos culpas, sofrimentos e dores. Vou ficar mesmo com a questão prática e palpável da história.
Aquela cena me marcou! Carregamos muito mais do que precisamos no nosso dia-dia. O meu bornal mais parecia uma mala de primeiro, segundo e terceiro socorros do que uma pasta de trabalho.  Nem nos damos conta que essas tralhas nos tornam mais pesados diante da vida. Sim, os especialistas em Feng Shui estão aí para concordem comigo.   Além de nos deixarem mais lentos, mais enrolados, os “pesos” prejudicam as costas e ombros, nos atrasam e nos irritam.
Vejam o meu caso. Quanto problemas criei para mim mesmo quando carreguei  àquilo que não me era mais  necessário. Se eu levasse comigo apenas o útil, acharia a chave imediatamente, não me atrasaria tanto, pegaria o elevador como gente civilizada e ficaria bem tranquilo, longe do estresse.
A partir do episódio narrado decidi me livrar do peso nosso de cada dia. Levo comigo apenas o que vou utilizar durante o período em que estiver fora de casa. Andar com pouco peso é começar a praticar o desapego, de uma certa maneira. Hoje, deixo de levar um Cd, um bloco de notas, um extrato bancário, uma pastilha pra garganta, blá blá blá. Amanhã, deixarei de carregar os sentimentos que mais nos pesam na vida. Mas daí, é um outro assunto, pra outro momento.

se fosse fácil, todo mundo faria!

Desde o final da década de 90 frequento a academia. Comecei querendo o que todo adolescente busca no supino: ficar fortinho para arrasar na praia. De lá pra cá já se passaram alguns anos e continuo firme na malhação. Todos os dias, do inverno ao verão, faça sol ou chuva, estou às 7h30min treinando. Hoje, é bem verdade, corro atrás de qualidade de vida e saúde.
A rotina de puxar ferro me forçou a ter novos hábitos. Dormir cedo e bem, ter uma boa alimentação – cortando gorduras e frituras-, beber muita água – e dar tchau para refrigerantes-, e diminuir bebidas alcoólicas. Sacrifícios que só fazem bem para mim. Sim! Sacrifícios porque é bom comer uma batatinha frita, tomar uma espumante bem gelada, fazer uma balada em plena terça-feira esquecendo que no outro dia tem trabalho.
Toda essa ladainha é para dizer que esses dias eu estava no meu exercício matinal diário. Fazia dois aparelhos, simultaneamente, para perna: extensor e flexor. Na academia existem dois aparelhos de extensor (para quem não entende muito é uma cadeira onde a pessoa movimenta a coxa como se fosse chutar a bola)! Um estava vazio e o outro eu ocupava. Uma menina – meio perdida – olha o aparelho vazio, onde eu fazia e que tinha minha toalha, e senta. Termino o flexor, vou rumo ao extensor e digo para ela:
- Oi. Estou fazendo aí, mas falta mais um. Podemos revezar ou tem àquele outro aparelho sem ninguém.
Ela me responde:
- Prefiro esse, àquele outro é mais pesado!
Tchoinnn!! Como assim, Bial?! Ela queria levantar “churros”? Confesso que foi uma das coisas mais estranhas que ouvi numa academia. Vamos combinar. Quem se dispõe a malhar tem que saber que vai fazer força, obrigatoriamente. E o mínimo de gasto energético já é o suficiente para o cansaço. Difícil é acreditar que as pessoas acham que só respirar o ar da academia já vão ficar saradas. Tipo, meio que por osmose!
Fiquei matutando sobre a atitude daquela garota. Reflete muito o que a maioria dos jovens de hoje espera da vida: tudo dela sem muita dedicação. Isso mesmo! Querem ficar lindos de corpo sem abrir mão de nada – cervejinha, banquetes engordantes e noitadas- e não fazerem força. Querem passar de ano na escola sem estudar. Querem sair da faculdade já com cargo de gerentes e ganhando muito bem – começar por baixo pra quê? Querem emprego e não trabalho. Querem tudo de mão beijada, sem sacrifício. Vieram para esse planeta passear e não fazer a diferença. Essa é a impressão que tenho dessa nova geração que está vindo por aí.
Doce engano! Mal sabem eles que o mundo real não é tão moleza assim e que a conta vem logo ali, mais tarde. Bom, mas não consigo mostrar isso para todos os “passeadores” do mundo. Cresci ouvindo dos meus pais que nada vem de graça nessa vida. Temos que ter foco, esforço e boa vontade para crescer. Sem dedicação não voamos alto, viu? Como disse o instrutor da academia se referindo à malhação – e eu amplio para as demais questões da vida:
- Se fosse fácil, todo mundo faria.

acredita que vira fé!

Gosto muito do Programa Viver Com Fé, apresentado pela atriz Cissa Guimarães, no GNT. A cada episódio, conhecemos histórias de superação através dessa palavra tão pequena, de apenas duas letras, mas que tem um significado enorme pra muita gente. Pessoas encontraram na fé a força para aguentar perdas, enfrentar doenças e acalmar a dor do coração. A própria apresentadora, de certa forma, busca na troca de experiências com os entrevistados um conforto pela morte de um filho amado!
Não tem jeito! Todo mundo se lembra da tal fé quando está na pior: doente, sem dinheiro, com problema no trabalho e na vida pessoal, triste porque alguém morreu…Ou, simplesmente, quando se percebe que não há mais nada para se fazer, apenas ter fé!
Num almoço de domingo, onde toda a família estava reunida, o assunto sobre espiritualidade veio à tona. Percebo que minha vó, nos auge dos seus 82 anos, fica pensativa. Bem longe da discussão! Com a cabeça baixa e o olhar perdido no assoalho da sala de estar, ela me pergunta:
- O que eu faço para ter fé?
A dona Wanda, uma mulher linda e forte, de olhos azuis cor do céu e cabelos bem brancos como as nuvens, levou poucas e boas da vida. Além de perder os pais, enterrou dois maridos, uma irmã, dois cunhados e dois enteados. Sem falar de alguns probleminhas de saúde aqui, outros ali, e as chateações rotineiras comuns para os mortais. Mas nada que a deixasse no meio do caminho, mesmo sabendo que a tristeza, por muitas vezes, era a sua principal companhia.
- Vóóó!
Falei em tom lento para que pudesse achar uma boa resposta para àquela pergunta tão “puxada”!
- Ter fé é simples. É acreditar. É acreditar que “àquele” problema será resolvido da melhor maneira possível. É acreditar na cura. É acreditar que vamos ficar bem. É acreditar naquilo que queremos. É acreditar que o dia de amanhã será melhor que o de hoje. É acreditar pra valer! Enfim, é acreditar no que acreditamos todos os dias.
É nessa insistência que nasce a fé! Isso mesmo! Fé é um exercício diário de pensamentos que acreditamos e desejamos. Agora, se existe um Deus ou algo superior por trás disso tudo, daí, meus amigos, é como diz àquela velha frase:
- Mulher, política e religião não se discutem.

não existe crescimento sem dor!

Uma manhã como outra qualquer. Acordo, tomo café, vou para a academia e depois trabalhar! O dia lindo lá fora, com o sol brilhando, promete ser de pura normalidade. Mas, daí, em questão de segundos, do nada, recebo uma notícia que nunca esperava, mas não sonhava nem no pior pesadelo! O fato veio como uma pedra sem rumo em minha direção. Óbvio que me acertou, levando-me ao chão, e arrastando para bem longe a tranquilidade!
Pelo menos, por dois dias, fiquei zonzo, tentando compreender àquilo que me disseram. Ainda frágil, em outra manhã que deveria ser de paz, me tocam mais uma “pedra”! A informação que recebera me derrubou de tal maneira que, já ferido, beijei o chão – e bem bonito! Sozinho, me ergui, e muito tonto ainda procurei seguir o cotidiano e recuperar minha confiança e força.
Mas parecia que estava escrito que perderia a batalha naquele momento. A cada dia daquela fatídica semana recebia uma “pedrada” diferente. Fui à lona como nunca tinha ido antes. Caído e completamente ferido penso numa maneira de respirar. De repente, ouço uma voz amiga que diz:
- As pedras que estão ao teu redor, atiradas em ti, servirão para construíres os degraus da tua escada! Quando perceberes, já estarás tão alto que nada mais vai te atingir.
Esse texto parece – mas não é – de uma passagem bíblica. A história real aconteceu comigo recentemente, mas ocorre diariamente com várias pessoas no mundo inteiro. Do nada, somos “apedrejados”! É nessa hora que ficamos desnorteados, sem saber para onde correr, em quem acreditar e para quem pedir ajuda.
Gostei muito da frase ali de cima sobre as pedras formarem os degraus da nossa escada. Na real, faz sentido. São as mesmas pedras que nos levam ao chão que vão nos socorrer. Temos que nos agarrar a elas. Elas servirão de porto-seguro pra gente, por mais louco que seja. As “pedradas” que recebemos da vida nos fazem sofrer sim, no entanto, nos “elevam” a um amadurecimento. A cada decepção nos distanciamos das coisas pequenas que nos atingiram. Isso é bom. Aliás, é ótimo! Só assim ficamos mais fortes e preparados pro mundo. Com já ouvi por aí e que concordo, a partir de então:
- Não existe crescimento sem dor.

sofrer é opcional

É do ser humano o sofrimento! Nossa, tudo é motivo para chorar, para ficar triste, para ficar se remoendo por dentro e por aí vai. Sofremos quando o nosso time de futebol perde uma partida, quando o carro estraga numa sexta-feira e ficamos o final de semana inteiro à pé, quando loja não tem o número da calça que tanto queremos. E quando o assunto é doença? Daí a porca torce o rabo!
Ouvindo um sábio senhor, certa vez, ele disse que as pessoas sofrem desnecessariamente ao visitar o médico, por exemplo. Se o doutor diz para a paciente que ela precisa emagrecer porque senão pode ter diabetes, pronto, o mundo acaba! Ela sai desesperada e já com a diabetes, o que é pior. Ou seja, o “PODE” foi totalmente ignorado e a doença já está no corpo. Afinal, é mais fácil sofrer agora do que tentar entender que o sofrimento pode ser evitado com dieta e exercício físico.
Vamos morrer um dia. É fato! Por isso, quando se vai ao médico e se descobre uma doença é preciso saber duas coisas: se ela vai nos matar ou não! Se a resposta for a primeira opção, bom, meu amigo, o sofrimento só vai fazer com que teus últimos momentos na terra sejam ainda piores. Então, bora ser feliz no tempo que te resta (não é fácil, mas vai ficar chorando até o último minuto)? Não tem jeito. O destino já foi decidido!
Agora, se a resposta for não, não vou morrer com a doença, daí o sofrimento não tem cabimento mesmo. Maior exemplo disso foi um depoimento que vi num quadro do Dr. Dráuzio Varella, no Fantástico, da TV Globo, tempos atrás. O professor Samir Amim, ao descobrir ser portador de HIV, hoje considerada uma doença crônica e não mais uma sentença de morte, decidiu ver o espaço do vírus na vida dele. O professor disse algo muito, mas muito bacana. Foi mais ou menos isso:
- O vírus me acompanhará pela vida inteira. É um espaço que não dirá para mim quais são os meus sonhos, quais são as minhas vontades, quais os meus amores, qual será o meu futuro. Eu vou dizer isso para mim. Não é o HIV!
Lembram daquele sábio senhor que falei no início do texto? Ele disse uma frase que me marcou muito:
- Sofrer é opcional! A felicidade é obrigatória!

sexta-feira, 6 de julho de 2012

casa nova...

Amigos e queridos leitores!

A partir de agora o Limonada Zen está hospedado no portal Clic RBS.

 Este é o novo link: http://wp.clicrbs.com.br/limonadazen/

Confiram os novos posts.

 Abração e boa leitura a todos