Mostrando postagens com marcador reflexão. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador reflexão. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

caderno de ins-pirações

Transformar os limões que a vida nos dá em uma deliciosa limonada. Essa é a minha filosofia de vida. A partir desse pensamento que criei o blog Limonada Zen para escrever como lidava com situações um tanto chatas e inesperadas. E, depois de um tempo, veio a vontade de compartilhar histórias e experiências de pessoas que buscam o mesmo.

No post de hoje, uma baita lição de superação. Priscila Soares Morais, uma jovem estudante de artes cênicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), estreia neste final de semana como dramaturga e apresenta, em Porto Alegre, a peça Caderno de ins-pirações, um texto reflexivo sobre as nossas tantas crises do dia-dia.

A ideia veio do próprio diário dela, escrito sempre com muito carinho. “Aqui tem de tudo. Trecho de poemas e músicas, coisas sobre teatro, um poeminha do Mário Quintana, fotos, coisas que eu vou vendo e registrando, sensações, ideias, inspirações, recuerdos, pirações. Reflexões da vida, do sonho, da dor, das angústias, do cada dia.”, afirma Priscila. A montagem, que tem supervisão da renomada atriz e diretora Patrícia Fagundes, se estrutura em uma narrativa épica, partindo da obra de Fernando Pessoa, da criação de alguns textos autorais e de textos de criação coletiva do grupo. 

O processo de criação e montagem da peça começou de uma forma um tanto difícil devido ao fato dela ter ficado um ano afastada do curso por motivo de doença e ter se distanciado da turma na qual havia ingressado.  “No curso de direção teatral não conhecia muitas pessoas dispostas a ingressar em um projeto comigo, foi então que convidei alguns amigos que já haviam se formado no curso de teatro para atuar em meu estágio de montagem”, relembra.

Os atores Vinicius Mello e Magda Schiavon abraçaram a causa. No palco, perpassam por diferentes situações que tem como eixo central o estar em crise. “O projeto é lindo e encantador. As pessoas vão pensar mais sobre as suas vidas de uma maneira mais poética. Nada de dramalhões”, comenta Vincius.

Para Priscila estar em crise, não saber o que fazer ou que caminho seguir é estar vivo, é viver. “Viver é isso, é escolher, decidir, não saber, é sorrir, é chorar, é sofrer. É dançar na corda bamba de sombrinha, é um rosário de piscados. É fazer, refazer, é tentar, construir, desistir. É a cada passo do caminho, descobrir e inventar o caminho”, conclui ela.

A montagem pode ser vista hoje (15.12), amanhã (16.12) e domingo (17.12), às 20h, na Sala Alziro Azevedo (Av. Sen. Salgado Filho, 312). A entrada é franca. 

terça-feira, 29 de agosto de 2017

depositórios de mimimi

por adriano cescani

Ouvir é uma grande caridade. É tão reconfortante emprestar o ombro para quem está precisando. Neste simples gesto, um coração angustiado se alivia e outro se enche de gratidão por ter feito algo legal para alguém.

Ser um bom ouvinte não é para qualquer um. Requer doses de tempo, afeto, paciência e compaixão. Por isso a caridade. Doamos tudo isso no momento em que estamos “disponíveis”.

O problema é quando o problema alheio passa a ser nosso. Os amigos ou familiares enxergam no “ouvinte” uma forma repetitiva de expor o que não está bom nas suas vidas. Sem se dar conta, o ouvido, assim como uma pia de banheiro que vai entupindo com pelos e sujeiras, fica obstruído.

nós somos a nossa melhor companhia
Eu sei que sou um pouco híbrido neste tema. Sou um reclamão. Mas reclamo porque sou um bom ouvinte. Acho que é uma forma de devolver ao mundo o que ele me dá: pessoas queridas mas extremamente falantes de suas frustrações, amarguras, insucessos, decepções ou falta de força para virar o jogo. Não estou aqui julgando ou dedurando, apenas constatando. Num Brasil atual, realmente, é muito difícil estar 100% pleno.

Percebi, nos últimos dias, que passei a ser um depositório de “mimimi”. De todos os lados recebo chororôs. Percebi, inclusive, que ninguém mais se interessava por mim, pelo meu trabalho, pelas minhas aflições - sim, todos as temos -. Me senti um náufrago nos últimos dias. Olha. Fui tão bombardeado por “problemas” que minha paciência, regada diariamente com meditação, bons pensamentos e orações, se esgotou, mesmo que temporariamente.

Sinal vermelho acionado. Precisei e preciso me restabelecer. Vou limpar minha mente e coração sozinho. Todos temos essa capacidade, desde que saibamos olhar pra dentro de nós com carinho. Seguirei na meditação, nos bons pensamentos, nas minhas orações, nos meus programas de lazer e diversão, minhas coisas.

Sim, para mim, estar sozinho é uma maneira de recarregar as energias. Daí, só depois desse breve período sabático, conseguirei voltar a consolar mais do que ser consolado. Que é o que eu busco pra mim.

O blog está aberto a discussões educadas e com pontos de vista diferentes. Comentários vazios, com palavrões ou contra o blogueiro não serão publicados.

terça-feira, 2 de maio de 2017

aplicativo para meditar

Já fiz um post sobre os benefícios da meditação aqui no Limonada Zen. O que posso dizer é que comecei. E hoje, com uma imensa alegria, compartilho com vocês que estou na prática há 50 dias ininterruptos. O que posso dizer, nesse pouco tempo de internalização, é que me sinto menos ansioso, com vontade de viver o agora, me preocupar menos com o amanhã e esquecer os problemas do ontem.

E senti o progresso no meu “ser” já nos primeiros dias. É uma sensação incrível, difícil até de descrever. Tenho muito, mas muito, que avançar nessa busca. E não é fácil, viu? Há dias que estamos sem paciência, mais cansados, preocupados e estressados. E tudo bem. É da vida contemporânea. O importante é ser gentil consigo mesmo, tentar, focar e não desistir de meditar, nem que seja por minutinhos.

A excelente notícia é que existe uma ajudinha bem boa. O aplicativo Insight Timer, baixado gratuitamente na App Store e Google Play - para Android e IOS -. Repleto de ferramentas que nos estimulam no dia-dia, é de fácil manuseio.  Ele nos apresenta meditações guiadas, em português, tempo de meditação, gráficos sobre nossa dedicação e, inclusive, nos dá estrelas, como se estivéssemos no colégio. Bem estimulante.

As meditações variam de acordo com o tempo disponível do usuário. Têm sessões de dois minutos, de cinco, de 15, de 20, de 30 e até de quase 60 minutos. Há práticas para quem gosta do zen-budismo, do vipassana e theravada, por exemplo. E sem problemas se não entendemos as diferenças entre elas. O importante é nos fazer bem. Existe, também, práticas para começar o dia, para centramento rápido, para gentileza e para adormecer. Essa é incrível. Antes mesmo de acabar, confesso, já peguei no sono. Ideal para àqueles dias estressantes.  

Nada é forçado. Podemos fazer em qualquer lugar, sentado ou deitado, conforme orientação do mentor. E o que for melhor para gente. Com fone de ouvido é melhor. Para os mais adiantados, há sons, músicas e cronômetro, que tornam a prática mais profissional, se assim podemos dizer. Ah! E podemos escolher qual o sinal para começar e encerrar a sessão.

O programa também serve de rede social. É possível ver quantas pessoas, no planeta, estão meditando simultaneamente, se conectar com elas ao escrever “obrigado por ter meditado comigo”, adicioná-las na lista de amigos e até formar grupos. É muito bacana essa interatividade. Fazemos parceiros de ideais em todos os continentes.

Mesmo meditando sozinho, sabemos que não estamos só. Que milhões de pessoas, literalmente, estão na mesma batida que a nossa. Que milhões de seres humanos estão buscando boas energias. Que milhões de homens e mulheres, de todas as idades, querem viver num mundo melhor e de forma melhor.

Informações:
Insighttimer.com



sexta-feira, 21 de abril de 2017

brandas emoções

por adriano cescani
Em fevereiro de 2010, com 34 anos, fiz minha primeira viagem para a Europa. Conheci a Espanha, a Inglaterra, a França e a Holanda. Foi a realização de um sonho. Desvendar o velho continente é uma experiência única e fascinante. Lembro-me que ao comentar com amigos e parentes sobre meu passeio, logo de cara me perguntavam como eu me sentia com essa conquista. Eu respondia, timidamente: 
Bem.
OHHH! Não satisfeitos, Insistiam em saber se eu estava empolgado. Eu retrucava:
Normal.
Cruz credo, só isso? – diziam todos. Confesso que minha empolgação era modesta. Parecia que eu iria dar um pulinho ali ena Serra Gaúcha ou litoral. Mas também não sei o que eles esperavam de mim: que eu gritasse, que eu pulasse, que eu chorasse, talvez, que eu recitasse poemas em cada língua? Well!
***
Um tempo atrás eu estava almoçando com uma amigona. Papo vem, papo vai, e lá entrou na conversa um assunto comum a todos: os sentimentos. Falamos, na verdade, de uma situação nada muito animadora e que me remeteu para a história acima recém contada. O quanto nossas emoções vão “abrandando” com o passar dos anos.
É fato incontestável! As nossas emoções são exageradas quando se é jovenzinho, seja criança ou adolescente, e ganham outra escala, bem menor, quando atingimos a maturidade, – depois dos 30, pode-se assim dizer. Infelizmente, na fase adulta, nossa “animação” não tem mais àquela mesma intensidade eufórica da juventude. Parece que o viço contagiante que faz o nosso coração sair pela boca – por alegria, por paixão, por sofrimento – vai diminuindo.
Não é uma visão pessimista da vida, até porque não somos – eu e minha amiga – duas pessoas “brochadas” com os caminhos de nossas trajetórias. Só percebemos que ao longo da nossa caminhada vamos colhendo todos os tipos de frutos, bons e ruins, de diversos tamanhos e de vários sabores. Alguns frutos mais doces, outros mais amargos, outros azedos. E é essa mistura que equilibra o nosso paladar existencial. Ou seja, o acúmulo de situações vivenciadas nos “amornam”, pois vamos conhecendo as dores, os sofrimentos, as decepções e, é claro, as realizações. Já quando não se tem muita experiência de vida tudo é 8-80.
Na adolescência, uma festa de fundo de quintal, com cerveja quente e com meia dúzia de jovens querendo descobrir o mundo era a melhor balada do mundo. Uma ida de ônibus no inverno, entre amigos, para o litoral gaúcho – ver o mar chocolatão – era a sensação mais libertadora da vida. E as primeiras paixões, então, nossa, tudo era demais! Amor demais, dramas demais, sofrimento demais!
Como adultos, a balada mais VIP da cidade “é legal”, mas é mais um evento entre tantos que já fomos e iremos. Uma viagem interestadual ou internacional “é legal”, mas é mais uma viagem. Um novo relacionamento “é legal”, mas sabemos que se não der certo, virão outros e, que gostamos das pessoas de forma diferente. Um relacionamento sempre é diferente do outro.
***
Tenho saudades do rompante da adolescência, que já me deixou chorar uma noite inteira por um amor não correspondido. Sinto falta de não ficar “histérico de animado e empolgado” com uma baita conquista. Mesmo com as emoções mais serenadas com o passar dos anos, não significa que não sou realizado ou que perdi a capacidade de ser feliz. Fico feliz sim, quando coisas boas me acontecem. Fiquei muito feliz ao pisar em cada cidade européia, desvendar cada lugarzinho, vivenciar, intensamente, cada momento. Mas senti – e sinto – uma alegria tranqüila, com começo, meio e fim. Hoje compreendo que a vida é feita de “momentos” felizes e que não há sentimento duradouro, como acreditava na juventude. Viva la vida!
O blog está aberto a discussões educadas e com pontos de vista diferentes. Comentários vazios, com palavrões ou contra o blogueiro não serão publicados.