quarta-feira, 3 de setembro de 2014

me deixa, meu mundo é melhor!

Impressionante como convivemos com pessoas sem noção. São “elas” que causam as situações mais estressantes, absurdas e injustas que presenciamos todos os dias por aí. E, são “elas”, ainda, que formam a nossa sociedade. Sem falar que somos “caçados” 24h pelo telefone fixo, celular, torpedos, Facebook, Twitter, Instagram… Falamos com todos ao mesmo tempo. Vivemos num liquidificador contemporâneo de loucuras e informações por segundo. Em resumo: ficamos loucos!
Uma tarde dessas fui dar um tapa no visual. O meu hair stylist ousou no meu corte de cabelo me deixando levemente inseguro. Na dúvida, larguei pra ele:
Me pareço com um integrante do “New Kids On The Block “!
Pra quem está na casa dos trinta e poucos anos vai saber de quem se trata. Para os mais novos, o NKOTB era um grupo americano de meninos com visual e cortes diferentes, lá nos anos 80. Enfim, fica por isso mesmo. Seguindo o baile. Fui lavar o cabelo – aliás, o que sobrou dele- e comentei com a menina no lavatório como estava me sentindo. Damos risadas, é claro! Vi que a garota era descolada. Pintura forte no rosto, piercing no nariz e orelha e uma “madeixa” super moderna e bem preta. Perguntei a ela:
Tu sabes qual a tribo do momento?
Sim! Cada época brota um gueto diferente (Grunges, Emos, Punk, Patricinhas e Mauricinhos)! Os meninos do New Kids On The Block, por exemplo, marcaram um estilo, assim como os Menudos, etc. Ela, imediatamente, comenta:
Tá em alta a galera do “me deixa, meu mundo é melhor”!
Confesso que achei o máximo! O movimento do “me deixa, meu mundo é melhor” reúne meninos e meninas com estilos Cult e Cool. Se vestem meio retrô e falam de música e literatura. Pelo menos não são chorões e sofredores como os Emos e usam roupas mais bacanas que os Grunges. A ideologia deles não é revolucionária, excludente ou anárquica. O lance dessa galera é não se incomodar na vida. Querem fazer o que gostam, na deles, sem criar polêmicas. Querem ser eles mesmos, felizes, com seus defeitos e virtudes.
Olhando para o teto, enquanto recebia shampoos, condicionadores e cremes na cabeça, fiquei matutando. Eureca! Eu acho que to fazendo parte desse novo grupo social!!!
Não tenho o estereotipo físico deles, mas sim a alma! Estou longe de ser introvertido ou “azeite” (que não se mistura com os outros). Mas confesso que estou num momento “me deixa, meu mundo é melhor”.  Sou um cara que busco, atualmente, ficar na minha. Implica não atender um telefone no final de semana, ficar afastado das redes sociais um ou dois dias, evitar “ajuntamento” de pessoas, andar por aí, pegar sol, ver os mais diferentes programas de Tv, não ter “agenda”  lotada de compromissos… Goste ou não, só o meu mundo me interessa. Ele não é melhor nem pior que o teu. É apenas o meu universo, lugar onde encontro paz e recarrego minhas energias na presença de quem gosto e quero. Simples assim!

um caçador de lições de vida!

Sou um caçador de lições de vida. Adoro aprender com os mais velhos e com quem tem o que ensinar. Leio, ouço e vejo tudo o que pode me fazer uma pessoa melhor. Assisti, tempos atrás, ao quadro “O que vi da vida”, do programa Fantástico, da Rede Globo, com o humorista Chico Anysio, hoje já falecido. Uma frase dele me fez refletir: “Nós, humoristas, somos insubstituíveis…”!
Concordo, em parte! Aquela frase que ninguém é insubstituível – que todos já ouvimos – só pode ter sido criada por um empregador capitalista e que adorava baixar a estima dos funcionários, não é mesmo? Sim, no trabalho, é bem verdade que colegas podem fazer a mesma atividade que a gente. Uns serão menos eficientes, outros exercerão igualmente a tarefa e haverá aqueles superiores no quesito profissão. Mas, aqui entre nós, cada pessoa é uma pessoa diferente. 
Outra coisa: não me venha dizer que namorado ou namorada, marido e mulher, amigos e até familiares podem ser substituídos, e com sucesso! DA ONDE? Achamos que podemos substituir pessoas em nossas vidas. Desculpe, mas não tem como! O que fazemos é acrescentar outras pessoas, mesmo que elas ocupem um papel que já tenha sido ocupado por outro semelhente, o que é bem diferente! Sacou a sutileza?
Mais uma prova da nossa “insubstituição” são nossas mães. Segundo elas, nenhum filho é igual ao outro. Só por essa teoria, já somos únicos. E sendo únicos, somos insubstituíveis. Voltando ao que o Chico Anysio quis dizer, sim, cada humorista é único. Mas nós, jornalistas, advogados, arquitetos, secretárias e qualquer outra profissão, somos únicos, também. Temos características que ninguém mais possui. Ninguém tem a minha alegria, mesmo sendo alegre. Ninguém tem a minha descontração, mesmo sendo o rei da descontração. Ninguém tem o meu humor terrível quando estou com fome ou sono, mesmo sendo o mais ranzinza possível. Não existe “o Adriano” em nenhuma academia no mundo, assim como não existe “o Adriano” em nenhum ciclo de amizade, não existe “o Adriano” em nenhuma outra cidade do mundo.
Muita gente passou pela minha vida e se foi. Entrei e saí da vida de muitas pessoas. Tive colegas de escola, colegas de profissão, vizinhos de casa, vizinhos de praia, vizinhos de férias, amigos que foram amigos e depois se afastaram, amigos que não eram amigos, amores e desamores. Uffa. Cansei. É fato: fui único para todos. Serei único para os próximos sei-lá-o-quê. Sou único para mim mesmo. Sou insubsittuível ao meu, ao teu e aos corações de quem quer que já tenha me conhecido.
Querido Chico Anysio, desculpe, mas vou reformular a tua frase:
- Nós, seres humanos, somos insubstituíveis!

carentes de nós mesmos!

Não existem príncipes e belas adormecidas! Há homens e mulheres. Humanos, cheios de imperfeições. Uns são mais desligados. Outros mais ansiosos. Tem a turma dos mais nervosos. A galera mais prática. O povo mais careeenntteee! Opa! Cheguei onde queria.
Todo mundo tem, ou teve, ou vai ter, um amigo “pidão de atenção”. A vida não está fácil pra ninguém, por isso, é raro falarmos diariamente com quem gostamos. O problema é que sempre tem alguém que não entende tal situação. Certamente tu já ligaste para o compadre ou comadre e ouviu, do outro lado da linha:
- Olha quem aparece? Pensei que tinha morrido!!!
Pois é! A rapadura é doce, mas não é mole. E àquela colega, que é a fashionista do trabalho, que ao te ver, logo pela manhã, pergunta de cara antes de dar oi:
- Não vai dizer que estou linda? Não notou nada de diferente em mim?
Difícil, né? Agora, quem nunca teve uma paquera, namoro ou rolo que extrapolou todos os limites pelo excesso de carência? Sim, tu já foste acordado – no susto – porque o celular gritou avisando o recebimento dos românticos torpedos de “Bom dia. Saudades”! Ao responder com outro “Bom dia“, pronto, aberta mais uma briga virtual.  Começa a enxurrada de SMS, do lado de lá, é claro:
Só dá bom dia? (torpedo 1)
Não vai dizer que está com saudades? (torpedo 2)
- Tu não gosta mais de mim? (torpedo 3)
Poderia esperar até às 9h da manhã para enviar o recado, não é mesmo? Ok. Faz parte dos carentes essa cobrança absurda e demasiada de carinho e atenção. Ficam cegos e fechados nas atitudes que acreditam estarem corretas. Afinal, se as pessoas não dão espontaneamente, darão na marra! E como grudam na gente? E como se magoam? E como ficam brabos? No primeiro gesto de rejeição, o beiço vem à tona. Claro, são as vítimas na história.
Os carentes estão sempre procurando, buscando e tudo com “...ando” – incomodando, perturbando, chateando, sufocando, irritando e, o mais sério, nos AFASTANDO deles. Nos casos mais graves, os carentes podem ser até taxados de promíscuos. Aqui, ficam com parceiros ou parceiras diferentes atrás de “algo” que falta para preencher “àquilo” que está vazio – e que nem sabem eles direito o que é!
Mas vou cantar a pedra! Os carentes são carentes deles mesmos. São homens e mulheres que, de certa forma, possuem uma baixa estima. Que não acreditam muito em si. Que pedem pelo amor de Deus um pouco de atenção, a migalha do pão. Que depositam no outro a sua felicidade. Grande bobagem! Mal sabem eles que para encontrar a tal felicidade no lado de alguém, seja num relacionamento pessoal, profissional ou afetivo, é necessário estar bem consigo mesmo. Se gostar! Apenas isso!
Ter uma carenciazinha, tipo manha, até é bom! Afinal, todos nós temos momentos mais “pidões” na vida! Faz parte. Mas fica espero! Se ninguém te procurar num sábado à noite, sem drama, vai escutar uma boa música ou ver um filme na TV. Um torpedo de “Bom dia” pode, mas não vale enviar os outros seis, cobrando retorno (se estiver nervoso pega o celular e se diverte com os joguinhos que nele tem). Tá te achando bonito? Então, vai ao espelho e te elogia. Não esperar muitos dos outros e mais de você, pode ser um bom começo pra dar adeus à carência de nós mesmos.

me absolvo das culpas!

Vivemos numa sociedade “culposa”, onde recebemos a culpa sem a intenção de provocá-la. Aliás, já no ventre da nossa mãe recebemos a primeira culpa. Qual? A culpa de engordá-la ou por fazê-la ter desejos estranhos, como comer sorvete com chiclete. E quando nascemos então? Somos culpados por um monte de coisas: dor, depressão pós-parto, falta ou excesso de leite no peito, blá blá! Vai ver que é por isso que já saímos da barriga aos prantos, chorando, como uma forma de pedir desculpas pelos problemas causados e pelos que causaríamos ao longo da vida.
E são muitos problemas, não é mesmo? Ainda enquanto bebê, recebemos a culpa pelas madrugadas mal dormidas dos nossos pais. Na adolescência, a culpa pelos aborrecimentos provocados pelas “rateadas” que fizemos na escola. E na fase adulta, já morando sozinho, levamos bronca porque não avisamos que chegamos bem de uma viagem para a praia. Minha mãe diz que filhos são uma eterna preocupação. Vai ver que por isso, na lista de palavras prioritárias que aprendemos ainda na infância, lá está ela, a DESCULPA. Sim, porque tudo é motivo para suplicar perdão: a bola que foi chutada sem querer na parede do vizinho, a cara emburrada de sono que fizemos para àquela tia chata, o vaso centenário quebrado numa pirueta dada na sala de estar. Os erros, mesmo que provocados sem querer, nos tornam culpados de alguma coisa. É sempre assim!
Ao longo da nossa vida vamos acumulando culpas. A culpa por ter repetido a série no colégio (nunca foi o meu caso, mas de muita gente por aí), a culpa por ter iniciado uma faculdade e ter trocado de curso no meio do caminho, a culpa por não ter ido fazer um intercâmbio quando jovem, a culpa por ter te afastado do teu melhor amigo de infância por uma briga boba, a culpa por uma gravidez indesejada na juventude, a culpa por não ter filho, a culpa por ser solteiro, a culpa por não ter lutado pelo amor da tua vida, a culpa por terminar um casamento de 15 anos! Ah! Se elas, as culpas, fossem convertidas em milhas daríamos, pelo menos, duas voltas ao mundo.
Já pelos 30 e poucos anos, então, já parecendo um Papai Noel, carregamos um saco cheio…não de brinquedos, mas deste bendito sentimento que deixa a nossa consciência pesada, bem pesada. Errei muito na por aí – e acredito que vou errar muito ainda. Carrego comigo as conseqüências das minhas inconseqüências até hoje. Pior que muitas delas levarei pelo resto da vida.
A culpa pelo caminho errado, pela decisão equivocada, pelas palavras ditas num impulso de raiva é inevitável. Vai direto para o nosso saco, que arrastamos pelas costas como o bom velinho. Durante uma conversa com uma sábia amiga esses dias, ouvi uma frase dela que me fez refletir.
- Adriano, as culpas não te pertencem. Te absolve , afinal, elas não vão te trazer felicidade.
Para completar, ela encerra:
- As coisas acontecem porque precisam acontecer.
Àquele papo, confesso, me tornou o Papai Noel no dia 26 de dezembro, com o saco vazio, depois de entregar todos os presentes para as crianças. Joguei, naquele momento para o universo, todas as culpas que recebi de mim e dos outros. Entendi que os erros que cometi foram por ingenuidade, por acreditar que era o certo a fazer, por fraqueza, por despreparo, enfim, por amor. Sei que tive minha parcela de culpa em muitas coisas por aí. Mas tenho a certeza que fiz o meu melhor naquela situação onde levei a pior. Acredito que era para ser assim. Simples assim. Então, eu me absolvo!

o peso nosso de cada dia!

O relógio marcava 19h10min. Encerrava mais um dia de trabalho. Até aí tudo lindo, se não fosse um compromisso que eu tinha do outro lado da cidade, em 20 minutos. O horário de pico no trânsito me “atucanou”.  Foi um Deus nos acuda! Desligo o computador, guardo planejamentos e começo a procurar a chave do carro dentro do bornal, o nome chamado para a bolsa masculina.
Inicia a minha peregrinação! Sim, quem disse que eu me lembrava em quais bolsinhos, bolsões e compartimento havia colocado a tal chave? Cavoco o bolso externo da frente  e encontro a chave de casa, a receita médica, a pastilha pra garganta, as moedas, o pen drive, o cartão do gerente do banco…e nada da chave do carro. Dou tchau pra quem fica no escritório e saio porta a fora misturando, com a mão esquerda,  o interior do bornal a procura da “querida”! Toco na carteira, no celular, num envelope vazio, no carregador de celular…e “neca-que-tibiriba” da chave.
Chamo o elevador e continuo buscando a “bendita”. Reviro uma bolsinha no compartimento interno e acho cartões de visitas, três canetas, um saco de bolachinha, extrato bancário, lenço, um chaveiro…e nenhum sinal “dela”.  O elevador chega, entro e aperto no botão que leva até a garagem. Já com uma cara de louco e com o corpo retorcido por causa do peso do bornal, continuo a busca no bolso externo de trás dele, como se minha mão fosse um liquidificador, vasculho o espaço rapidamente – muito, mas muito irritado. Descubro o óculos de sol, um bloco de notas, um cd, comprovantes de pagamentos, conta de luz e, para variar,  não achei a “p#@a” da chave do carro. Olho para o senhor que estava no elevador e digo:
- Quando perdemos a chave do carro é um problema, né?
- É um saco quando isso acontece, responde ele!
Já na garagem, caminho com a mão, novamente, no miolo da pasta – que  é quase um buraco negro. Respiro fundo, conto até três e, calmamente, faço uma última vasculhada no bornal e nos seus intermináveis esconderijos. Demorei, mas a encontrei, extremamente atrasado.
Me lembrei do filme “O Amor Acontece”, onde o personagem principal, um palestrante de auto-ajuda, falava sobre a quantidade de bobagens e coisas supérfulas que carregamos ao longo da vida, sem nenhuma necessidade. Citou, como exemplo, o peso de uma bolsa! Claro que ele iria entrar no mérito de arrastarmos culpas, sofrimentos e dores. Vou ficar mesmo com a questão prática e palpável da história.
Aquela cena me marcou! Carregamos muito mais do que precisamos no nosso dia-dia. O meu bornal mais parecia uma mala de primeiro, segundo e terceiro socorros do que uma pasta de trabalho.  Nem nos damos conta que essas tralhas nos tornam mais pesados diante da vida. Sim, os especialistas em Feng Shui estão aí para concordem comigo.   Além de nos deixarem mais lentos, mais enrolados, os “pesos” prejudicam as costas e ombros, nos atrasam e nos irritam.
Vejam o meu caso. Quanto problemas criei para mim mesmo quando carreguei  àquilo que não me era mais  necessário. Se eu levasse comigo apenas o útil, acharia a chave imediatamente, não me atrasaria tanto, pegaria o elevador como gente civilizada e ficaria bem tranquilo, longe do estresse.
A partir do episódio narrado decidi me livrar do peso nosso de cada dia. Levo comigo apenas o que vou utilizar durante o período em que estiver fora de casa. Andar com pouco peso é começar a praticar o desapego, de uma certa maneira. Hoje, deixo de levar um Cd, um bloco de notas, um extrato bancário, uma pastilha pra garganta, blá blá blá. Amanhã, deixarei de carregar os sentimentos que mais nos pesam na vida. Mas daí, é um outro assunto, pra outro momento.

se fosse fácil, todo mundo faria!

Desde o final da década de 90 frequento a academia. Comecei querendo o que todo adolescente busca no supino: ficar fortinho para arrasar na praia. De lá pra cá já se passaram alguns anos e continuo firme na malhação. Todos os dias, do inverno ao verão, faça sol ou chuva, estou às 7h30min treinando. Hoje, é bem verdade, corro atrás de qualidade de vida e saúde.
A rotina de puxar ferro me forçou a ter novos hábitos. Dormir cedo e bem, ter uma boa alimentação – cortando gorduras e frituras-, beber muita água – e dar tchau para refrigerantes-, e diminuir bebidas alcoólicas. Sacrifícios que só fazem bem para mim. Sim! Sacrifícios porque é bom comer uma batatinha frita, tomar uma espumante bem gelada, fazer uma balada em plena terça-feira esquecendo que no outro dia tem trabalho.
Toda essa ladainha é para dizer que esses dias eu estava no meu exercício matinal diário. Fazia dois aparelhos, simultaneamente, para perna: extensor e flexor. Na academia existem dois aparelhos de extensor (para quem não entende muito é uma cadeira onde a pessoa movimenta a coxa como se fosse chutar a bola)! Um estava vazio e o outro eu ocupava. Uma menina – meio perdida – olha o aparelho vazio, onde eu fazia e que tinha minha toalha, e senta. Termino o flexor, vou rumo ao extensor e digo para ela:
- Oi. Estou fazendo aí, mas falta mais um. Podemos revezar ou tem àquele outro aparelho sem ninguém.
Ela me responde:
- Prefiro esse, àquele outro é mais pesado!
Tchoinnn!! Como assim, Bial?! Ela queria levantar “churros”? Confesso que foi uma das coisas mais estranhas que ouvi numa academia. Vamos combinar. Quem se dispõe a malhar tem que saber que vai fazer força, obrigatoriamente. E o mínimo de gasto energético já é o suficiente para o cansaço. Difícil é acreditar que as pessoas acham que só respirar o ar da academia já vão ficar saradas. Tipo, meio que por osmose!
Fiquei matutando sobre a atitude daquela garota. Reflete muito o que a maioria dos jovens de hoje espera da vida: tudo dela sem muita dedicação. Isso mesmo! Querem ficar lindos de corpo sem abrir mão de nada – cervejinha, banquetes engordantes e noitadas- e não fazerem força. Querem passar de ano na escola sem estudar. Querem sair da faculdade já com cargo de gerentes e ganhando muito bem – começar por baixo pra quê? Querem emprego e não trabalho. Querem tudo de mão beijada, sem sacrifício. Vieram para esse planeta passear e não fazer a diferença. Essa é a impressão que tenho dessa nova geração que está vindo por aí.
Doce engano! Mal sabem eles que o mundo real não é tão moleza assim e que a conta vem logo ali, mais tarde. Bom, mas não consigo mostrar isso para todos os “passeadores” do mundo. Cresci ouvindo dos meus pais que nada vem de graça nessa vida. Temos que ter foco, esforço e boa vontade para crescer. Sem dedicação não voamos alto, viu? Como disse o instrutor da academia se referindo à malhação – e eu amplio para as demais questões da vida:
- Se fosse fácil, todo mundo faria.

acredita que vira fé!

Gosto muito do Programa Viver Com Fé, apresentado pela atriz Cissa Guimarães, no GNT. A cada episódio, conhecemos histórias de superação através dessa palavra tão pequena, de apenas duas letras, mas que tem um significado enorme pra muita gente. Pessoas encontraram na fé a força para aguentar perdas, enfrentar doenças e acalmar a dor do coração. A própria apresentadora, de certa forma, busca na troca de experiências com os entrevistados um conforto pela morte de um filho amado!
Não tem jeito! Todo mundo se lembra da tal fé quando está na pior: doente, sem dinheiro, com problema no trabalho e na vida pessoal, triste porque alguém morreu…Ou, simplesmente, quando se percebe que não há mais nada para se fazer, apenas ter fé!
Num almoço de domingo, onde toda a família estava reunida, o assunto sobre espiritualidade veio à tona. Percebo que minha vó, nos auge dos seus 82 anos, fica pensativa. Bem longe da discussão! Com a cabeça baixa e o olhar perdido no assoalho da sala de estar, ela me pergunta:
- O que eu faço para ter fé?
A dona Wanda, uma mulher linda e forte, de olhos azuis cor do céu e cabelos bem brancos como as nuvens, levou poucas e boas da vida. Além de perder os pais, enterrou dois maridos, uma irmã, dois cunhados e dois enteados. Sem falar de alguns probleminhas de saúde aqui, outros ali, e as chateações rotineiras comuns para os mortais. Mas nada que a deixasse no meio do caminho, mesmo sabendo que a tristeza, por muitas vezes, era a sua principal companhia.
- Vóóó!
Falei em tom lento para que pudesse achar uma boa resposta para àquela pergunta tão “puxada”!
- Ter fé é simples. É acreditar. É acreditar que “àquele” problema será resolvido da melhor maneira possível. É acreditar na cura. É acreditar que vamos ficar bem. É acreditar naquilo que queremos. É acreditar que o dia de amanhã será melhor que o de hoje. É acreditar pra valer! Enfim, é acreditar no que acreditamos todos os dias.
É nessa insistência que nasce a fé! Isso mesmo! Fé é um exercício diário de pensamentos que acreditamos e desejamos. Agora, se existe um Deus ou algo superior por trás disso tudo, daí, meus amigos, é como diz àquela velha frase:
- Mulher, política e religião não se discutem.