quarta-feira, 3 de setembro de 2014

acorda pra vida!

O ser humano acha que o ser humano é bobo. Assistindo ao quadro “Jogo de Panelas III”, do Programa Mais Você, da Globo, concluí um pensamento que tinha sobre as pessoas que se dizem “verdadeiras” e “autênticas”. Permitam-me abrir um parêntese. Sim, eu vejo trechos da Ana Maria Braga quando estou me preparando para sair de casa pela manhã. Acho bem divertido. Fecha parêntese. Mas voltando ao assunto, no reality gastronômico do matutino tem uma participante, chamada Mônica, que busca, constantemente, os seus 15 segundos de fama com uma postura pra lá de questionável.
Pra quem não sabe, o objetivo do jogo é descobrir talentos da culinária. Cinco telespectadores comuns, escolhidos pela produção, têm como missão preparar um jantar na casa deles para os próprios concorrentes. E são os mesmos competidores que dão as notas. Então já viram o que pode rolar de puxada de tapete. A Mônica, no vídeo de apresentação dela, encheu a boca para dizer que é verdadeira e autêntica, que fala o quer, doa a quem doer. Resultado: bota defeito em tudo e todos. Poucos pratos são gostosos e estão legais. Agiu, ainda, de forma grosseira com os colegas de game durante uma prova. Ah! Sem falar que a bonita disse, também, que tava lá para ganhar e que ia dar notas baixas pros outros. Ok! Cada um com sua estratégia de guerrilha.
Vamos combinar, né? O mundo está cheio de pessoinha que se acha melhor que os outros por se achar “verdadeira” e “autêntica”. Estufa o peito e acredita que essa atitude é nobre e que o outro vai agradecer por ela ser assim. O rei da cocada preta é docemente arrogante e amargamente dono da verdade. Acima dele só o criador e abaixo, o próprio umbigo.
Ei? Psiu? Fala sério! Está completamente equivocado o uso da expressão “sou verdadeiro”, “sou autêntico” e “sou sincero”. Normalmente, o cidadão que se intitula tudo isso adora ser indelicado, tem sempre uma crítica destrutiva a fazer, tem caras e bocas e gestos grosseiros, nada é satisfatório 100% e sempre ele tem uma saída melhor para tal situação. É uma mala! Há casos, até, de mau-caratismo na parada (temos que ver caso a caso, é claro, sem generalizar). E vou mais longe: pessoas assim são excluídas do convívio do grupo que estão inseridas, ficando fadadas à solidão.
Parto da ideia de que a pessoa verdadeira e autêntica não se gaba das suas qualidades. Ela é descoberta, naturalmente, pelo amigo, pelo colega de trabalho, pelo vizinho, pelo parceiro do banco de ônibus. É, acima de tudo, discreta. A pessoa verdadeira e autêntica é boa, inteligente e educada. Entende que o nosso cérebro é feito, também, para selecionar o que vamos dizer. Ora, ingênuo quem acredita que vomitar tudo o que pensa é ser alguém legal. Desculpe, mas não é. Falar sem peneirar o que dever ser dito é ignorância, mas no significado da palavra, que é a falta de conhecimento. A pessoa verdadeira e autêntica sabe que a crítica por crítica não leva para lugar nenhum. Se tiver que ficar quieta, vai ficar, porque magoar o outro – sem um motivo forte – não faz sentido. Afinal, todo mundo erra um dia. Se tiver que opinar, vai falar com jeitinho, bem educado, quase pedindo desculpa. A pessoa verdadeira e autêntica sabe reconhecer o que os outros fazem de bom. E sabem elogiar também. A pessoa verdadeira e autêntica te faz crescer e não te empurra pra baixo.
Acredito que tem gente que precisa urgente rever o conceito de verdadeiro, autêntico e sinceridade. Se engana quem acredita que torna o mundo mais claro e transparente agindo como um cachorro louco, soltando raiva e ódio na nossa sociedade. Pessoa assim só torna o dia-dia mais chato e cansativo. Se encontrares uma por aí que quiser dar o ar da graça pra ti, já sabe o que dizer:
- Cai na real e acorda pra vida!

calma, tia!

Bah! O trânsito de Porto Alegre está caótico. Existem muitos, muitos e muitos veículos trafegando por aí. As vias são estreitas, há sinaleiras em excesso e fiscalização eletrônica a rodo, como se conseguíssemos andar em alta velocidade. Somado a tudo isso estão os motoristas “manetas” ou, para quem fica ofendido, “os sem noção de espaço” – e com habilitação, o que é pior! É de chorar no cantinho ouvindo a música “Oceano”, de Djvan.
Ok! As pessoas não são obrigadas a dirigir como o Ayrton Senna, mas poderiam se comportar como a Lady Diana, com muita educação.  Digo isso, porque tem um fator gravíssimo congestionando o raciocínio da humanidade: o egoísmo. No trânsito, a única coisa que importa para o motorista é o carro dele. Como canta Paula Toller, do Kid Abelha, “…os outros são os outros e só”!
Numa bela manhã, um belo engarrafamento brota do nada numa estreita avenida da capital gaúcha. E eu fico preso nele, já na largada do dia. Uma balzaquiana anda com o carro basicamente no meio da via. Onde passaria dois carros, naquele momento só um trafegava. Eu pergunto: por quê? Era só colocar o carro mais para a esquerda! Mas não, tinha que parar entre as faixas. Viram, o egoísmo é muito maior que a solidaderiedade e a manutenção da civilização.
Ao tentar ultrapassar, devagar, o  espelho retrovisor do meu carro encostou no dela. BUUUUMMM! Uma bomba explodiu naquele veículo e ela surtou. Gesticulava e falava muito alto. Educadamente abro meu vidro e digo:
- Calma! A senhora poderia respeitar os sinais de trânsito e andar apenas na sua faixa para não aumentar ainda mais o engarrafamento!
Nervosa, aos prantos, ela gritou pra mim:
- Vai t$  f@&E  kdeuhdakaidkxldo… sai de casa mais cedo!!!
Uia! É prepotência do ser humano achar que pode mandar no outro. Eu saio de casa a hora que eu quero, primeiro. Em segundo lugar, não é uma questão de atraso e, sim, de respeito ao próximo. Não temos o direito de atrapalhar a vida do cidadão, principalmente, em via pública. Todos têm o direito de ir e vir livremente. Em terceiro, tá nervosa vai pescar!
Naquele dia ficou claro para mim que NÃO preciso me estressar – e NÃO vou – com gente que NÃO sabe conviver em grupo. Descobri que pode ser muito mais interessante fazer trajetos novos e, de preferência, em ruas e avenidas mais largas. Depois disso, nunca mais me deparei com problemas desse tipo, pelo menos nos horários de pico.

as correntezas do destino!

O homem não é peixe por um detalhe! Parece que nasceu para “remar” -leia-se, também, nadar contra a corrente-. Se pensarmos um pouco, todos nós passamos a vida remando. Remamos para aprender a caminhar, a falar, a escrever, a andar de bicicleta, a dar o primeiro beijo, a ter a primeira transa, a perder peso, a parar de fumar, conquistar a tal promoção no trabalho, etc! Para a maioria das pessoas, creio, as conquistas vêm depois de muitoooo sacrifício. Isso quando vem.
Zapeando pela televisão parei no canal Discovery Chanel. Um documentário contava a história de um mergulhador profissional que ficou 3 dias e 2 noites em alto mar depois de ser esquecido durante um mergulho em grupo. A agonia do homem foi reconstituída como prova de que temos destino e é ele quem dá o rumo da nossa vida. Segundo especialistas, ninguém sobrevive tanto tempo dentro do oceano, sem beber água potável, sem comer, tendo feridas se abrindo na pele por causa do sal em contato com o sol e sofrendo de hipotermia. Mas àquele homem sobreviveu.
O que mais me chamou a atenção é que o mergulhador, ao longo destes dias à deriva, o que mais fez foi remar. Avistou a terra firme algumas vezes, mas nunca chegou a tocá-la. A correnteza não permitiu que aquele cara experiente na profissão fizesse com êxito o que mais sabia: nadar. Remou, mas remou até a exaustão!
Depois de usar todas as forças, sem sucesso, entregou os pontos. Desistiu de lutar contra a maré. Como um pedaço de madeira boiando em alto mar, se deixou levar, esperando apenas a única saída, a morte. O que mal sabia ele, já inconsciente, é que a própria corrente, que o impedira de chegar até a terra, foi a mesma que o levou de volta ao lugar onde foi esquecido e onde estavam as equipes de salvamento. Ele desistiu da vida, mas ela não desistiu dele. Estava salvo. Isso é destino!
O final feliz desta história verídica nos faz refletir que o que passou dentro do mar é semelhante na terra firme. Queremos muito chegar a um lugar e, para isso, “nadamos” incansavelmente. O que não nos damos conta é que também no solo temos as correntezas, que ora estão a nosso favor, ora contra a gente.
Há pessoas que remam mais que outras. Tem gente que consegue chegar ao destino final, remando. Tem gente que rema, mas morre na praia. É! Remar significa que tentamos sair do lugar, buscar coisas novas e melhores pra nós. Hoje acredito, mesmo remando muito, que as correntezas da vida é que vão decidir para onde vamos. Se é para onde queremos ir ou se é para onde as correntes querem nos levar.

desce, o palco não é teu!

Sim, eu tenho twitter. Sim, eu tenho Facebook. Sim, mesmo não atualizando, eu tenho Orkut. Sim, eu tenho Instagram. Eu tenho até blog, o Limonada Zen! O fato de ser jornalista me dá uma boa justificativa para estar conectado a tantas redes sociais. A informação é a minha ferramenta de trabalho. Tô certo ou Tô errado?
Mas é inegável que a internet é o próprio buraco negro. Tudo vai parar lá. Até a gente. Estamos expostos, iguaizinhos a manequins de vitrines de lojas. Lindos, exibindo a nossa alegria, o quanto somos felizes, ricos, amados, descolados, bem freqüentados! Só nos falta descer da nave espacial (lembram do Xou da Xuxa?) cantando: “bom dia amiguinhos já estou aqui, temos tantas coisas boas pra nos divertir…”!
Há, ainda, os “oh vida, oh céus!”, os injustiçados da vida. Tá bem! Cada um se vende como pode e quer. O problema é quando abrimos a boca, ou seja, digitamos sem nenhuma autocensura. O ator Zé Victor Castiel tem uma definição excelente sobre essas novas mídias:
Tem gente que fala muito sem ter o que dizer.
Perfeito, não é mesmo? Um exemplo disso é quando o papo é morte. Todo mundo morre. Morre-se de acidente, doença, velhice e morte matada. Morre-se assim – poomm! – de repente. Junto com a pessoa morre, também, a senha do Facebook e das outras redes sociais. Resultado: fica-se vivo no mundo virtual.
O ser humano é, por natureza, meio mórbido! O fulano subiu o telhado e – pah! – vamos direto vasculhar a vida do cidadão no tal “Face”. Que obituário, nada! O negócio é ver fotos, ler os últimos recados e postagens do falecido. Confesso que me causa certa estranheza o povo que escreve textos saudosos, desejando uma boa passagem, para quem se foi. E daí começa o buzunzun. Um comenta o comentário do outro, que recebe uma curtida, um compartilhamento. Já li uma frase onde a pessoa informava que tinha visto o falecido na Padre Chagas na semana anterior da morte! E uma fulana que lamentou o cancelamento do jantar que teria com o morto na semana posterior ao óbito?!?
Sério! Só tenho uma coisa pra falar para o internauta que faz isso.
- Desce, o palco não é teu!
É natural que todos querem participar do último ato do “friend”. É compreensível a vontade que dá de dizer o quanto ele era importante na amizade e o quanto vai fazer falta por aqui. Respeito isso! No entanto, as redes sociais vieram para integrar as pessoas (que estão vivas)! Portanto, o palco é só dele, como num monólogo. Não há espaço para coadjuvantes. Muito em breve, os holofotes irão se apagar. Ele se foi.
A morte é um assunto sério, principalmente pra quem fica. O falecido não vai acessar a página pessoal dele para curtir todas as mensagens de condolência. Não curtirá no Instagram, um programa de foto, um cartaz escrito LUTO. Jamais retuitará o post “Descansa em paz!”.  Os mortos não precisam mais de recados e curtidas. Já tão noutra. O que eles necessitam é mais simples que isso: apenas uma oração.

me deixa, meu mundo é melhor!

Impressionante como convivemos com pessoas sem noção. São “elas” que causam as situações mais estressantes, absurdas e injustas que presenciamos todos os dias por aí. E, são “elas”, ainda, que formam a nossa sociedade. Sem falar que somos “caçados” 24h pelo telefone fixo, celular, torpedos, Facebook, Twitter, Instagram… Falamos com todos ao mesmo tempo. Vivemos num liquidificador contemporâneo de loucuras e informações por segundo. Em resumo: ficamos loucos!
Uma tarde dessas fui dar um tapa no visual. O meu hair stylist ousou no meu corte de cabelo me deixando levemente inseguro. Na dúvida, larguei pra ele:
Me pareço com um integrante do “New Kids On The Block “!
Pra quem está na casa dos trinta e poucos anos vai saber de quem se trata. Para os mais novos, o NKOTB era um grupo americano de meninos com visual e cortes diferentes, lá nos anos 80. Enfim, fica por isso mesmo. Seguindo o baile. Fui lavar o cabelo – aliás, o que sobrou dele- e comentei com a menina no lavatório como estava me sentindo. Damos risadas, é claro! Vi que a garota era descolada. Pintura forte no rosto, piercing no nariz e orelha e uma “madeixa” super moderna e bem preta. Perguntei a ela:
Tu sabes qual a tribo do momento?
Sim! Cada época brota um gueto diferente (Grunges, Emos, Punk, Patricinhas e Mauricinhos)! Os meninos do New Kids On The Block, por exemplo, marcaram um estilo, assim como os Menudos, etc. Ela, imediatamente, comenta:
Tá em alta a galera do “me deixa, meu mundo é melhor”!
Confesso que achei o máximo! O movimento do “me deixa, meu mundo é melhor” reúne meninos e meninas com estilos Cult e Cool. Se vestem meio retrô e falam de música e literatura. Pelo menos não são chorões e sofredores como os Emos e usam roupas mais bacanas que os Grunges. A ideologia deles não é revolucionária, excludente ou anárquica. O lance dessa galera é não se incomodar na vida. Querem fazer o que gostam, na deles, sem criar polêmicas. Querem ser eles mesmos, felizes, com seus defeitos e virtudes.
Olhando para o teto, enquanto recebia shampoos, condicionadores e cremes na cabeça, fiquei matutando. Eureca! Eu acho que to fazendo parte desse novo grupo social!!!
Não tenho o estereotipo físico deles, mas sim a alma! Estou longe de ser introvertido ou “azeite” (que não se mistura com os outros). Mas confesso que estou num momento “me deixa, meu mundo é melhor”.  Sou um cara que busco, atualmente, ficar na minha. Implica não atender um telefone no final de semana, ficar afastado das redes sociais um ou dois dias, evitar “ajuntamento” de pessoas, andar por aí, pegar sol, ver os mais diferentes programas de Tv, não ter “agenda”  lotada de compromissos… Goste ou não, só o meu mundo me interessa. Ele não é melhor nem pior que o teu. É apenas o meu universo, lugar onde encontro paz e recarrego minhas energias na presença de quem gosto e quero. Simples assim!

um caçador de lições de vida!

Sou um caçador de lições de vida. Adoro aprender com os mais velhos e com quem tem o que ensinar. Leio, ouço e vejo tudo o que pode me fazer uma pessoa melhor. Assisti, tempos atrás, ao quadro “O que vi da vida”, do programa Fantástico, da Rede Globo, com o humorista Chico Anysio, hoje já falecido. Uma frase dele me fez refletir: “Nós, humoristas, somos insubstituíveis…”!
Concordo, em parte! Aquela frase que ninguém é insubstituível – que todos já ouvimos – só pode ter sido criada por um empregador capitalista e que adorava baixar a estima dos funcionários, não é mesmo? Sim, no trabalho, é bem verdade que colegas podem fazer a mesma atividade que a gente. Uns serão menos eficientes, outros exercerão igualmente a tarefa e haverá aqueles superiores no quesito profissão. Mas, aqui entre nós, cada pessoa é uma pessoa diferente. 
Outra coisa: não me venha dizer que namorado ou namorada, marido e mulher, amigos e até familiares podem ser substituídos, e com sucesso! DA ONDE? Achamos que podemos substituir pessoas em nossas vidas. Desculpe, mas não tem como! O que fazemos é acrescentar outras pessoas, mesmo que elas ocupem um papel que já tenha sido ocupado por outro semelhente, o que é bem diferente! Sacou a sutileza?
Mais uma prova da nossa “insubstituição” são nossas mães. Segundo elas, nenhum filho é igual ao outro. Só por essa teoria, já somos únicos. E sendo únicos, somos insubstituíveis. Voltando ao que o Chico Anysio quis dizer, sim, cada humorista é único. Mas nós, jornalistas, advogados, arquitetos, secretárias e qualquer outra profissão, somos únicos, também. Temos características que ninguém mais possui. Ninguém tem a minha alegria, mesmo sendo alegre. Ninguém tem a minha descontração, mesmo sendo o rei da descontração. Ninguém tem o meu humor terrível quando estou com fome ou sono, mesmo sendo o mais ranzinza possível. Não existe “o Adriano” em nenhuma academia no mundo, assim como não existe “o Adriano” em nenhum ciclo de amizade, não existe “o Adriano” em nenhuma outra cidade do mundo.
Muita gente passou pela minha vida e se foi. Entrei e saí da vida de muitas pessoas. Tive colegas de escola, colegas de profissão, vizinhos de casa, vizinhos de praia, vizinhos de férias, amigos que foram amigos e depois se afastaram, amigos que não eram amigos, amores e desamores. Uffa. Cansei. É fato: fui único para todos. Serei único para os próximos sei-lá-o-quê. Sou único para mim mesmo. Sou insubsittuível ao meu, ao teu e aos corações de quem quer que já tenha me conhecido.
Querido Chico Anysio, desculpe, mas vou reformular a tua frase:
- Nós, seres humanos, somos insubstituíveis!

carentes de nós mesmos!

Não existem príncipes e belas adormecidas! Há homens e mulheres. Humanos, cheios de imperfeições. Uns são mais desligados. Outros mais ansiosos. Tem a turma dos mais nervosos. A galera mais prática. O povo mais careeenntteee! Opa! Cheguei onde queria.
Todo mundo tem, ou teve, ou vai ter, um amigo “pidão de atenção”. A vida não está fácil pra ninguém, por isso, é raro falarmos diariamente com quem gostamos. O problema é que sempre tem alguém que não entende tal situação. Certamente tu já ligaste para o compadre ou comadre e ouviu, do outro lado da linha:
- Olha quem aparece? Pensei que tinha morrido!!!
Pois é! A rapadura é doce, mas não é mole. E àquela colega, que é a fashionista do trabalho, que ao te ver, logo pela manhã, pergunta de cara antes de dar oi:
- Não vai dizer que estou linda? Não notou nada de diferente em mim?
Difícil, né? Agora, quem nunca teve uma paquera, namoro ou rolo que extrapolou todos os limites pelo excesso de carência? Sim, tu já foste acordado – no susto – porque o celular gritou avisando o recebimento dos românticos torpedos de “Bom dia. Saudades”! Ao responder com outro “Bom dia“, pronto, aberta mais uma briga virtual.  Começa a enxurrada de SMS, do lado de lá, é claro:
Só dá bom dia? (torpedo 1)
Não vai dizer que está com saudades? (torpedo 2)
- Tu não gosta mais de mim? (torpedo 3)
Poderia esperar até às 9h da manhã para enviar o recado, não é mesmo? Ok. Faz parte dos carentes essa cobrança absurda e demasiada de carinho e atenção. Ficam cegos e fechados nas atitudes que acreditam estarem corretas. Afinal, se as pessoas não dão espontaneamente, darão na marra! E como grudam na gente? E como se magoam? E como ficam brabos? No primeiro gesto de rejeição, o beiço vem à tona. Claro, são as vítimas na história.
Os carentes estão sempre procurando, buscando e tudo com “...ando” – incomodando, perturbando, chateando, sufocando, irritando e, o mais sério, nos AFASTANDO deles. Nos casos mais graves, os carentes podem ser até taxados de promíscuos. Aqui, ficam com parceiros ou parceiras diferentes atrás de “algo” que falta para preencher “àquilo” que está vazio – e que nem sabem eles direito o que é!
Mas vou cantar a pedra! Os carentes são carentes deles mesmos. São homens e mulheres que, de certa forma, possuem uma baixa estima. Que não acreditam muito em si. Que pedem pelo amor de Deus um pouco de atenção, a migalha do pão. Que depositam no outro a sua felicidade. Grande bobagem! Mal sabem eles que para encontrar a tal felicidade no lado de alguém, seja num relacionamento pessoal, profissional ou afetivo, é necessário estar bem consigo mesmo. Se gostar! Apenas isso!
Ter uma carenciazinha, tipo manha, até é bom! Afinal, todos nós temos momentos mais “pidões” na vida! Faz parte. Mas fica espero! Se ninguém te procurar num sábado à noite, sem drama, vai escutar uma boa música ou ver um filme na TV. Um torpedo de “Bom dia” pode, mas não vale enviar os outros seis, cobrando retorno (se estiver nervoso pega o celular e se diverte com os joguinhos que nele tem). Tá te achando bonito? Então, vai ao espelho e te elogia. Não esperar muitos dos outros e mais de você, pode ser um bom começo pra dar adeus à carência de nós mesmos.